dancei até o infinito e deixei que segurasse minha mão até o último minuto. não sabia quando seria a última, mas toda vez que o olhava nos olhos sabia que ia acabar. a necessidade do fim de um ciclo chegou por meio de um disco, mas também através de carinhos inocentes, noites confusas e um coração partido. a cada um nada mais a dizer... doloridas certezas se criavam no meu coração.
recentemente entrou na minha lista de afazeres um projeto que vai me levar tempo e energia consideráveis. superar um amor não correspondido, do grego, desapaixonar-se. nutrir um sentimento desse por 4 anos sabendo que não era e nunca seria correspondido... os motivos pelos quais fiquei por tanto tempo nesse lugar não convém escrever aqui, mas vai ficar tudo bem.
luedji luna sempre me canta. desde bom mesmo é estar debaixo dágua, passando "recentemente" por antes que a terra acabe e um mar pra cada um. são três discos essenciais nas minhas fases de compreensão do amor. ainda que não seja sobre mim, quando tece sobre dores ancestrais, me sinto vista de várias maneiras.
seu acústico surge necessário como um prenúncio de tempestade, profeta como luedji sabe ser. encruzilhada abre o disco e de um jeito muito particular, dessa vez falava diretamente comigo. não dava pra ignorar. acho até que ando doida, canta, "quem tá sou eu", digo. chorei lágrimas pesadas. poesia pouca me lembra do sentimento de candura, da banda tuyo, quando ouvi pela primeira vez. como todo o pra curar, da tuyo, (outro disco essencial) sendo esse lugar de acolher-se, o acústico da luedji, alcança outros lugares ainda mais profundos.
esse processo de se desfazer do que era tão importante, tão impossível de esquecimento, tão dotado de inerência à sua rotina, principalmente quando se trata de pessoas, é como viver um luto. precisar aprender a viver sem a companhia do outro que era tão presente. tem dias que é difícil escolher a melhor maneira de lidar com as coisas. sem querer pisar no calo dos outros ou nas próprias dores. no outro dia nada disso importa se você estiver infeliz.
sinto a redenção chegando em gris - detalhe. quando ela canta tanto bate até que água, até que água, até que água, até que água, água, água, água, água... quando recita o poema detalhe de Calila das Mercês, profetizando uma última vez que o tempo não é covarde...
se amei da forma mais bonita que podia, é por tal sincera beleza que sigo acreditando no amor.








