10 de jul. de 2026
uma última carta
31 de jan. de 2025
anedotas sobre vícios, instagram, ansiedades e sumiço
comecei a leitura de um livro em dezembro do ano passado. nesse momento tô caminhando pro final, sinto um clima de despedida. depois de um longo ano sem conseguir terminar um livro sequer, tô bem emocionada e realizada por estar conseguindo.
em um domingo perdido do ano passado encontrei papéis e cadernos cobertos por poeira. como num flashback de um filme melancólico, lembrei dos dias que sentava e escrevia. não sei onde essa necessidade que me era tão inerente foi parar. quanto tempo demorei pra notar que já faz um ano que estive aqui? no ano que passou muitas coisas aconteceram. não me cabe aqui falar sobre elas, mas talvez eu volte a velhos hábitos.
16 de fev. de 2024
nem o verão impediu o meu esmorecer
enquanto trovejava com inocentes pratos, portas e paredes, lembrei que ainda carrego montes e montes de palavras. a vida ás vezes inventa de acontecer e aí eu perco o momento de falar sobre as coisas. não que exista um momento destino, mas acredito na abundância e na pluralidade do tempo. prefiro ficar quieta, registrar com os olhos, ouvidos. silêncio é um privilégio que ainda aprecio.
não vivo só dessa quietude, muito pelo contrário, preciso de todo o barulho do mundo pra sobreviver ao caos, que é bem silencioso do meu corpo mundo. verdade que essa anarquia escapa sorrateira da boca, é quando sei que preciso escrever.
digo pra mim mesma que guardar palavra e sentimento é bom, mas até certo ponto. sabendo que o silêncio pode me poupar de amargura futura, também sei que pode causar acúmulo de mágoa, ferrugem e desgaste. do que me adianta saber que ainda sinto essas dores? se deixar passar por essas e outras é uma porra, mas não há muito o que fazer. não que eu já não tenha errado, errado de novo, aprendido e voltado a errar. foi preciso cair e quebrar os ossos, pra perceber que vou continuar errando. em meio aos cacos partidos, talvez um dia eu mude.
não gosto muito de mudanças, mas sou ótima em me acostumar. passei tempos com um calo na sola do pé direito que nunca sarava 一 também nunca fui atrás de uma cura 一, seis meses depois... sumiu. já tinha me habituado com a ideia de tê-lo ali, inconveniente, me causando sofrimento. lido com as coisas assim, prestando atenção, incomodada, mas não lidando, esperando, até que elas decidam por conta própria desaparecer.
a verdade é que nada em mim desaparece. assim como a palavra guardada, se não é lapidada com cuidado, se torna outra coisa, me atormenta, apodrece, morre, corroendo. o calo sumiu, mas ainda sinto a sombra de um edema. falo das coisas que consigo cobrir com um sapato, uma blusa de mangas longas, uma risada, um silêncio.
"saia desse lugar!", digo pra mim mesma. permaneço imóvel. me embrenho no passado das coisas, em busca do que já foi bom. onde não era esse atual tormento que não cura, nem sara, tampouco é alentado. me agarro num passado que já foi pregado na parede, que é diferente desse presente cruel e percebo estar num martírio eterno. aguardo até que desapareça, afinal, nada que eu conheça durou pra sempre. tudo se perdeu em descuido e esquecimento. é um desamor atrás do outro.
tudo e nada não são sinônimos mas insisto em vivê-las como se fossem.
já ouvi dizer que, se eu falasse com a boca sobre palavras e sentimentos que um dia já me foram sinônimo de dor, sem derramar lágrima alguma dos olhos, haveria uma cicatriz no lugar. ás vezes não precisa de muito tempo de cura quando o corte é na superfície. sobre machucados mais profundos, daqueles que ultrapassam todos as camadas da carne, não tenho controle algum, mas um dia vai dar bom. acreditar na complexidade do tempo em uma fé descabida, ás vezes funciona, ocasionalmente pode ser o suficiente pra curar. vai dar bom.
16 de nov. de 2023
11 de nov. de 2023
tentando entender o caos
é óbvio que é mais fácil descobrir o que se é e bater o ponto. busca incessante por respostas é coisa de jovem, de gente que tá saindo do verde pra ficar maduro... né? então, como é possível ainda estar descobrindo coisas sobre mim? depois de tantas certezas que achei ter à meu respeito, me encontrar em outras maneiras de ser é uma baita de uma surpresa. ou melhor, é uma doidera.
o fato é que... é muito engraçado observar esses registros de versões de mim que já fui.
a última vez que escrevi, de fato, foi quando decidi mandar uma carta pra um amigo. já faz algumas semanas. não tenho acesso a essa carta porque escrevi a mão, tal qual os astecas. ela era bem sincera, bem dolorida, de tinta borrada por lágrimas. não era sobre esse amigo, mas sobre coisas que eu estava sentindo. sobre coisas que estavam afetando minhas relações, meu comportamento, entre outras coisas.
não foi a única coisa que escrevi antes de dar uma sumida por aqui. escrevi agradecimentos no meu TCC o qual apresentei. depois de sete anos naquela faculdade, acreditem ou não, terminei. um curso que eu jurei que iria abandonar, que pensava não ser pra mim, que me fez chorar horrores. pois é, a vida, né?
fiquei caçando a hora certa de voltar, falar sobre um milhão de coisas que provavelmente não vão fazer mais sentido pra Nicole de um futuro próximo. o erro é ficar caçando tempo certo, ficar pensando demais, como disse Jaquinho. a graça da coisa é essa mesmo, perceber o que se foi pra conseguir enxergar o que se é agora. só dá pra ter essa percepção das coisas quando se registra.
nunca pensei que voltaria a ser ativa em redes sociais. não que isso seja um grande feito e que mereça comemoração. no entanto, considerando os motivos pelos quais tinha parado de usar, vou comemorar sim. eu não tinha garantia de nada, nem imaginei que isso aconteceria, mas voltei a ser próxima das pessoas, criar novas conexões e pra mim, foi o mais importante. também voltei a registrar mais fotos do meu rosto, coisa que eu não fazia com frequência. lembro de algumas vezes que escrevi sobre isso aqui. engraçado que dia desses, através de fotos, percebi que estou envelhecendo haha. muito maluco, o tempo e tal.enfim, acho que perceber que você pode continuar crescendo, mudando e se movendo, mesmo quando já se é grande, adulta e com mais consciência de si, pode ser uma coisa bem maluca de se lidar. estando em reformas, pondo os móveis pra fora, dando uma chacoalhada nas ideias, nos planos, nas vontades, nas crenças, tentando entender o caos. por enquanto, é isso aí.
7 de ago. de 2023
o último quatro de agosto
| José, o sobrevivente. |
24 de jul. de 2023
cada vez mais confusa
![]() |
| Phoebe Bridgers, Punisher (2020) |
repensar as coisas é quase involuntário e se eu pudesse nem me daria o trabalho. é cansativo. como lido, como ajo, como processo, como concluo. é uma grande montanha russa, sinceramente, parar e refletir sobre essas questões que me parecem tão naturais. no que toca a isso, não são tão naturais assim. embora nem sempre dê pra parar, só refletir e nem sempre realmente refletir, apenas pensar à respeito delas, ainda assim é difícil olhar de maneira questionadora pra si.
coisas que ninguém me pediu pra fazer, mas acabo fazendo mesmo assim, involuntariamente, como já disse. sinceramente é um trabalho desgastante, angustiante até.| Love Exposure (2008) |
12 de jul. de 2023
vida de plástico, sonhos de vidro
9 de jul. de 2023
it used to be me
quando viro a chave e abro a porta, todos os sons se dissipam. esse é o dado momento em que percebo os estragos que a vida me fez. o cansaço recai sobre os ombros. a memória já não está tão bem exercitada. não tenho encarado meu reflexo no espelho. o choro agora sai com dificuldade. aquele hematoma que não sara, aqueles calos que não secam. quem é essa que vive dessa maneira, toma esses tipos de decisões e se machuca a cada passo dado?
22 de mai. de 2023
fases, liberdades e lances não tão subjetivos assim
27 de fev. de 2023
sobre ser muito sentimental e outras bobagens imperdíveis
15 de jan. de 2023
bote fé ou bote fogo
27 de dez. de 2022
o ano mais rebelde da minha vida
29 de nov. de 2022
quando descobri a solidão
já faz um tempo em que parei pra escrever e conversar comigo, sobre mim. não é falta de tempo, é só que não sei bem em que pé anda as coisas por aqui. estou andando em círculos enquanto falo (e na maioria das vezes é assim mesmo). saudades da terapia. andei querendo entender o motivo de ter tomado tantas decisões estranhas, então sentei aqui pra escrever.
9 de out. de 2022
o que eu fiz no inverno passado e coisas para assistir no mês das bruxas
22 de set. de 2022
ás vezes é preciso deixar-se não justificar
discuti com a minha mãe, perdi o ônibus, derramei café quente na blusa e ainda são 8 horas da manhã. não sei se o universo anda me prometendo vingança ou algo do tipo, mas estou disposta a aceitar todas as mazelas que vierem. nada me afeta. já dizia a Tuyo, sou um tronco forte. juro que não reclamei por queimar a língua logo após sujar a roupa, só percebi que aconteceu. tudo em sequência. a maluquice foi ter achado que isso tudo é argumento o suficiente pra aparecer com texto e reflexão, ora vejam só... realmente preciso de motivo pra vir aqui?
20 de abr. de 2022
a poesia na conquista de seu amante (você)
![]() |
| Dead Poets Society (1989) |
14 de abr. de 2022
2 anos de estranho peixe, voltando à terapia e falhas de código
depois de 4 meses sem sessões, ao voltar a frequentar a terapia, a psicóloga novamente me diz: pensamentos surgem aos montes numa mente ansiosa e a grande maioria deles não é verdadeira. a ficha finalmente caiu quando me deparei recentemente com 3 textos no quais discursei furiosamente sobre coisas que no dia seguinte já não me representavam mais. a propósito, feliz aniversário para o estranho peixe. as falhas no código do blog tem a ver com tudo isso.


















