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10 de jul. de 2026

uma última carta

dancei até o infinito e deixei que segurasse minha mão até o último minuto. não sabia quando seria a última, mas toda vez que o olhava nos olhos sabia que ia acabar. a necessidade do fim de um ciclo chegou por meio de um disco, mas também através de carinhos inocentes, noites confusas e um coração partido. a cada um nada mais a dizer... doloridas certezas se criavam no meu coração.

recentemente entrou na minha lista de afazeres um projeto que vai me levar tempo e energia consideráveis. superar um amor não correspondido, do grego, desapaixonar-se. nutrir um sentimento desse por 4 anos sabendo que não era e nunca seria correspondido... os motivos pelos quais fiquei por tanto tempo nesse lugar não convém escrever aqui, mas vai ficar tudo bem.

luedji luna sempre me canta. desde bom mesmo é estar debaixo dágua, passando "recentemente" por antes que a terra acabe e um mar pra cada um. são três discos essenciais nas minhas fases de compreensão do amor. ainda que não seja sobre mim, quando tece sobre dores ancestrais, me sinto vista de várias maneiras. 

seu acústico surge necessário como um prenúncio de tempestade, profeta como luedji sabe ser. encruzilhada abre o disco e de um jeito muito particular, dessa vez falava diretamente comigo. não dava pra ignorar. acho até que ando doida, canta, "quem tá sou eu", digo. chorei lágrimas pesadas. poesia pouca me lembra do sentimento de candura, da banda tuyo, quando ouvi pela primeira vez. como todo o pra curar, da tuyo, (outro disco essencial) sendo esse lugar de acolher-se, o acústico da luedji, alcança outros lugares ainda mais profundos.

esse processo de se desfazer do que era tão importante, tão impossível de esquecimento, tão dotado de inerência à sua rotina, principalmente quando se trata de pessoas, é como viver um luto. precisar aprender a viver sem a companhia do outro que era tão presente. tem dias que é difícil escolher a melhor maneira de lidar com as coisas. sem querer pisar no calo dos outros ou nas próprias dores. no outro dia nada disso importa se você estiver infeliz.

sinto a redenção chegando em gris - detalhe. quando ela canta tanto bate até que água, até que água, até que água, até que água, água, água, água, água... quando recita o poema detalhe de Calila das Mercês, profetizando uma última vez que o tempo não é covarde... 

se amei da forma mais bonita que podia, é por tal sincera beleza que sigo acreditando no amor.
 

31 de jan. de 2022

retalhos de janeiro


sonhei de pés no chão. um sonho claustrofóbico e desconfortável. de caminho hipnótico, alucinante. despertando e apagando pra continuar. aqui dentro ou aí fora, não faz diferença, todos os lugares remetem a um baú fechado, ela me diz. acredito nela. bebi um chá de camomila com leite, de manhã. conheci minha primeira autora argentina, lendo seu morra, amor. por uma noite, pertenci à mente daquela mulher sem nome. agora, ariana harwicz é alguém que preciso observar os passos. 

24 de ago. de 2021

coisas, coisas, coisas


comecei a escrever esse texto há um bom tempo. digitei sobre coisas que aconteceram a meses e outras que aconteceram a alguns dias. não era a minha intenção, já que não costumo perdurar demais. tendo a desistir de expor. vou cortando até não sobrar nada. é irrelevante, não vale a pena ser dito. muito provável pela falta de confiança no que digo. tenho medo do que pareço enquanto falo, como se certas palavras não fossem condizentes com o Eu que conheço. 

21 de jul. de 2021

discos, adolescência e portas se abrindo


a minha história com a música começou muito antes de eu nascer... brincadeira. porém, mesmo você não querendo saber, te digo que a minha mãe adora relembrar das noites as quais colocava Shania Twain pra tocar, e me balançava no colo até muito tarde. parecia que eu na minha pouca idade já ansiava por esse momento e não pregava os olhos até que acabasse. algumas coisas não mudam mesmo.

5 de jul. de 2021

5 de julho em 4 atos

hoje de manhã ouvi uma música que não ouvia há muito tempo. . acabei revivendo o álbum inteiro. senti nostalgia imediata, pois tive oportunidade de ver a bandavoou ao vivo, lá em 2015, com a minha melhor amiga daquela época (e paixão secreta pro mundo hoje, pra ela não, pois ela sabe). aí me apaixonei de novo. pela música e pela lembrança. 

4 de jun. de 2021

de ônibus pra Terra do Nunca!


Antes de tudo queria agradecer mais uma vez a todo mundo que me enviou forças nos comentários da última postagem. O meu pai está super bem, só com tosse ainda, mas já está bem mais forte e saudável (ou seja, rindo à toa e tirando sarro da minha cara). Finalmente, o dia agendado do teste de Covid veio e deu negativo. Aparentemente, foi uma gripe comum que pegou ele de jeito. Muito estranho, sinceramente, mas que bom. Vai ficar tudo bem.

20 de mai. de 2021

e aí transformei lixo num evento (um post que prometo não apagar)


- Sinto cheiro de cigarro e maconha o tempo todo

- Meus cafés nunca ficam bons e só me trazem ansiedade

- Loveless voltou a ser onde moro

20 de abr. de 2020

as minhas luzes no fim do túnel da quarentena

são sete e meia. acordo de súbito, mas com preguiça ou não, levanto. arrumo a cama. vou pra cozinha. dou play e deixo o In Rainbows tocando no celular enquanto lavo a louça, varro a casa, pego as roupas secas do varal, dobro e guardo tudo. finalmente tomo meu banho e já são quase nove quando faço um café gostosinho pra passar mais um dia em casa. ligo o computador, abro os portais de notícias e sou instantaneamente bombardeada com quarentena, covid-19, pandemia, corona vírus, auxílio emergencial, genocidas, oms, desemprego, fome, cloroquina, cura e....ufa, quanto fôlego.