2 de fev. de 2025

projeto: zerando a estante 🍂˚ ༘ ೀ⋆。˚☕️⋆。˚

sempre dando a desculpa de que cada um tem o seu momento certo (no fundo ainda acredito nisso), decidi me dar um ultimatoeu definitivamente vou tirar esses benditos de cima do muro. o projeto zerando a estante vai acontecer e e ele nada mais é que: encarar os livros não lidos e lê-los. há muitos anos tento colocar esse projeto em prática, mas nunca consegui. sempre havia algo no caminho que impedia, seja trabalho, estudo, preguiça ou cansaço mental, mas decidi que em 2025 eu daria um jeito de fazer dar certo.

minha vida de leitora começou desde muito cedo, considerando que a minha mãe foi uma grande incentivadora desse processo. guardar livros é uma coisa que faço a anos, ainda que eu já tenha doado alguns e trocado outros. aí me vem a questão: porquê continuo acumulando se não estou lendo? no fundo a gente sabe que tem a ver com a cultura do consumo desenfreado, mas eu nem compro tanto assim. 

é a minha hipocrisia no seu mais belo vestido de gala. talvez na fé de que um dia eu consiga sair dessa ressaca que não me deixa ler um livro se quer, eles estariam ali disponíveis quando eu quisesse, como numa biblioteca particular. no começo era fofo, comecei a adquirir livros que não tinha lido no digital, pois não era tão fácil como é hoje e assim acabou por se tornar uma realidade triste e com sinônimo de fracasso. não estou dizendo que pessoas nessa mesma situação devam se sentir culpadas, mas é como eu me sinto. agindo como se ler fosse a pior coisa do mundo... sendo que é uma das poucas coisas na vida que me deixa verdadeiramente feliz.



me deparei com esse vlog da bela (throne of pages) no qual ela embrulha dez de seus próprios e depois os sorteia para ler numa maratona de 24 horas. nesse vídeo em questão ela sorteia, em um app de roleta, a ordem que serão lidos, pois o desafio é ler todos os 10 em 1 dia. ainda contextualizando, em 2024 ela se deu a tarefa de ler todos os não lidos de sua estante, com o "castigo" de não comprar absolutamente nenhum antes de atingir sua meta. ela se desafiava dessa maneira, pois a incentivava a alcançar o objetivo dela.

não tenho a intenção de me desafiar dessa forma com maratonas de longas horas de leitura, ou de ler o máximo em pouco tempo, a ideia não me agrada, nunca funciona pra mimna verdade, o que me chamou atenção foi a ideia que ela trouxe e que talvez pudesse ser a solução para o meu problema. 

diante disso, antes de 2025 ter início, peguei um montão de folha usada e resolvi embrulhar cada não lido que acumulei. isso inclui alguns quadrinhos e mangás que já perderam a esperança (e a cor) de tanto esperarem para serem pegos. enumerei 99 embrulhos. jesus. resolvi expor esse projeto e esse número vergonhoso aqui, pois acredito que seria a maneira de me incentivar a concluir essa tarefa. é provável que eu atualize de alguma maneira esse progresso por aqui.

todos eles serão sorteados. assim que eu terminar a leitura de um, sorteio o próximo número no aplicativo, que também irá gravar os números que já foram sorteados (importante). há a exceção de alguns que não estão embrulhados, pois adquiri recentemente (ou estão com a leitura pela metade a alguns meses), esses possuem o benefício de serem pegos a qualquer momento sem sorteio, mas também possuem números caso sejam esquecidos no churrasco. 

por fim, um disklaimer: esse é um projeto permanente, até que se encerre, mas continuarei priorizando as minhas vontades que incluem fugir e ler o que der na telha. até por que o meu objetivo com a leitura é prazer, conhecimento e derivados, não tortura. assim sigo na minha jornada... enfim, que os jogos comecem. 

31 de jan. de 2025

anedotas sobre vícios, instagram, ansiedades e sumiço

existem coisas que só se dizem na terapia, é o que ouvi por aí... na coragem ou na burrice de expor fragilidades, às vezes, vale a pena o risco. faz anos que deixei o tratamento, então acho que, o momento de falar é quando se julgar o melhor. é a forma como tenho lidado sozinha com as coisas, com os meus problemas. decidi que será agora. ninguém melhor do que eu mesma pra entender, sentir e contradizer as coisas que falo, nem sempre. vamos lá.

comecei a leitura de um livro em dezembro do ano passado. nesse momento tô caminhando pro final, sinto um clima de despedida. depois de um longo ano sem conseguir terminar um livro sequer, tô bem emocionada e realizada por estar conseguindo. 

quem já esteve por aqui antes, sabe que gosto muito de ler. não que eu tenha parado com leituras no geral, já que visitei mangás e alguns quadrinhos, mas a questão é ter permanecido no estado de querer muito, mas não conseguir sair da primeira página dos livros. ainda permanecem parados juntando poeira e ansiedade, mas sair desse ciclo e ter de volta o sentimento de realização é muito bom.

a solução foi ter decidido dar um tempo do instagram. foi como sumir de todas as redes sociais, já que não uso mais nenhuma com frequência. vão fazer dois meses que excluí o aplicativo do celular. foi a melhor decisão pra minha saúde, ainda que eu tenha me sentido muito mais distante das pessoas, muito mais alheia ao mundo. se é bom ou ruim, fica a critério de quem decide. sinto das duas maneiras. sendo um alívio não estar mais cronicamente online e poder dar lugar a milhares de hobbies possíveis. ao mesmo tempo, sentir que você não existe mais, que literalmente desapareceu, pois ao que parece, o virtual é o atual verdadeiro mundo real.

para além de vício, ansiedade e perca de tempo, havia também a necessidade de aprovação, exposição desnecessária e preocupações imaginárias com imagem. algumas questões na minha vida foram de encontro a esse sentimento crescente de auto sabotagem dentro de mim e foi se tornando uma bola de neve. ter deixado o instagram me trouxe mais tempo com o tédio, a ansiedade e a solidão. parece péssimo, mas era o que eu precisava fazer. 

não foi tão fácil, mas também não foi o fim do mundo. antes de tomar essa decisão já vinha percebendo outros vícios na minha rotina. bebida, fumo, pessoas. eu sentia uma necessidade de honestidade comigo mesma. dar um tempo de tudo lá fora. viver um dia de cada vez, sentir o tempo passar, aqui dentro. dentro do meu quarto. foi gradativo, um vício por vez, porém alguns sendo substituídos por outros. esses últimos sendo menos prejudiciais. ninguém é perfeito.

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exemplos de vícios saudáveis, porém depende: mass of the fermenting dregs e kinoko teikoku (ambas bandas japonesas, com vocais sonhadores e bastante guitarra distorcida), mangá de Yowamushi Pedal, trilha sonora de NANA, playlists inspiradas em BLAST e TRAPNEST (bandas fictícias do anime de NANA), assim como playlists inspiradas em personagens de NANA, rs. canal da eva, cuidar dos meus cactos, quebra-cabeças de 500 peças, barras de chocolate hershey's, her code touch (perfume-para-o-qual-estou-economizando-para-ter-mais-do-que-10-ml da boticário) e etc. 

viajando na ideia de como seria sentir essa energia pessoalmente, já que ouvir bem alto me deixa toda arrepiada
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numa busca desesperada por conforto, acalanto e companhia (precisava aprender a conviver comigo) transformei meu quarto num porto seguro. tenho esse sonho distante de trabalhar com direção de arte, mas nunca olhei com carinho para o meu próprio cantinho. aos poucos vou tornando-o um lugar do qual não vou querer sair. no entanto, 2024 foi um ano em que fiz algumas viagens de trabalho, de cursos ou para congresso. guardei no canto do meu coração uma paixão por conhecer lugares, pessoas e da possibilidade de me perder estando longe de casa. nascendo a vontade de realizar uma sozinha, só pra saber como seria. 

cá estou eu novamente, questionando verdades absolutas, abrindo caminhos dentro de mim. com uma necessidade de auto conhecimento, de evolução como ser. de me sentir um ser que vive, independente de onde esteja, se só ou acompanhada. se dentro do meu quarto numa sexta-feira a noite, lendo um livro ou estando num bar insalubre, de uma cidade aleatória, em uma madrugada qualquer. lidando com as consequências das minhas próprias escolhas, triste ou feliz, por ter ido ou por não ter ido. assim que se vive, acredito. 

engraçado que
quando entro na espiral de pensamentos introspectivos, sempre caio numa longa crise existencial. queria poder dizer que quando ela passa volto a saber quem sou e quais eram meus objetivos que almejo alcançar, mas nunca é assim. geralmente, não consigo achar o caminho de volta pra quem eu costumava ser. não necessariamente numa versão melhor ou pior, mas de fato, diferente da anterior.

antes que eu comece a discorrer mais um pensamento-negativo-&-auto-depreciativo, vamos encerrar por aqui.

em um domingo perdido do ano passado encontrei papéis e cadernos cobertos por poeira. como num flashback de um filme melancólico, lembrei dos dias que sentava e escrevia. não sei onde essa necessidade que me era tão inerente foi parar. quanto tempo demorei pra notar que já faz um ano que estive aqui? no ano que passou muitas coisas aconteceram. não me cabe aqui falar sobre elas, mas talvez eu volte a velhos hábitos.

16 de fev. de 2024

nem o verão impediu o meu esmorecer

enquanto trovejava com inocentes pratos, portas e paredes, lembrei que ainda carrego montes e montes de palavras. a vida ás vezes inventa de acontecer e aí eu perco o momento de falar sobre as coisas. não que exista um momento destino, mas acredito na abundância e na pluralidade do tempo. prefiro ficar quieta, registrar com os olhos, ouvidos. silêncio é um privilégio que ainda aprecio. 

não vivo só dessa quietude, muito pelo contrário, preciso de todo o barulho do mundo pra sobreviver ao caos, que é bem silencioso do meu corpo mundo. verdade que essa anarquia escapa sorrateira da boca, é quando sei que preciso escrever.

digo pra mim mesma que guardar palavra e sentimento é bom, mas até certo ponto. sabendo que o silêncio pode me poupar de amargura futura, também sei que pode causar acúmulo de mágoa, ferrugem e desgaste. do que me adianta saber que ainda sinto essas dores? se deixar passar por essas e outras é uma porra, mas não há muito o que fazer. não que eu já não tenha errado, errado de novo, aprendido e voltado a errar. foi preciso cair e quebrar os ossos, pra perceber que vou continuar errando. em meio aos cacos partidos, talvez um dia eu mude.

não gosto muito de mudanças, mas sou ótima em me acostumar. passei tempos com um calo na sola do pé direito que nunca sarava 一 também nunca fui atrás de uma cura 一, seis meses depois... sumiu. já tinha me habituado com a ideia de tê-lo ali, inconveniente, me causando sofrimento. lido com as coisas assim, prestando atenção, incomodada, mas não lidando, esperando, até que elas decidam por conta própria desaparecer.

a verdade é que nada em mim desaparece. assim como a palavra guardada, se não é lapidada com cuidado, se torna outra coisa, me atormenta, apodrece, morre, corroendo. o calo sumiu, mas ainda sinto a sombra de um edema. falo das coisas que consigo cobrir com um sapato, uma blusa de mangas longas, uma risada, um silêncio.

"saia desse lugar!", digo pra mim mesma. permaneço imóvel. me embrenho no passado das coisas, em busca do que já foi bom. onde não era esse atual tormento que não cura, nem sara, tampouco é alentado. me agarro num passado que já foi pregado na parede, que é diferente desse presente cruel e percebo estar num martírio eterno. aguardo até que desapareça, afinal, nada que eu conheça durou pra sempre. tudo se perdeu em descuido e esquecimento. é um desamor atrás do outro.

tudo e nada não são sinônimos mas insisto em vivê-las como se fossem. 

já ouvi dizer que, se eu falasse com a boca sobre palavras e sentimentos que um dia já me foram sinônimo de dor, sem derramar lágrima alguma dos olhos, haveria uma cicatriz no lugar. ás vezes não precisa de muito tempo de cura quando o corte é na superfície. sobre machucados mais profundos, daqueles que ultrapassam todos as camadas da carne, não tenho controle algum, mas um dia vai dar bom. acreditar na complexidade do tempo em uma fé descabida, ás vezes funciona, ocasionalmente pode ser o suficiente pra curar. vai dar bom.