12 de fev. de 2022
um date em Pânico
depois de um grande sim, eu aceito, me encontrei em uma sala escura de cinema. era óbvio que provavelmente a única pessoa que assistiria um filme de terror e comigo, seria ela. quem mais o faria? o fato é que o filme não é lá algo romântico, tampouco provindo da caixinha de obras de horror aclamadas atualmente, como os filmes do Jordan Peele (Run, Us, e, inclusive esse ano sai Nope), O Babadook, Hereditário, A Bruxa, Invocação do Mal, Corrente do Mal, etecetera e etecetera. são ótimos (exceto por esse último que creio na falta de noção que se deu), mas então quem, em sã consciência, assistiria ao meu lado mais uma sequência saturada de filme trasheira violenta e pagasse por isso?
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31 de jan. de 2022
retalhos de janeiro
sonhei de pés no chão. um sonho claustrofóbico e desconfortável. de caminho hipnótico, alucinante. despertando e apagando pra continuar. aqui dentro ou aí fora, não faz diferença, todos os lugares remetem a um baú fechado, ela me diz. acredito nela. bebi um chá de camomila com leite, de manhã. conheci minha primeira autora argentina, lendo seu morra, amor. por uma noite, pertenci à mente daquela mulher sem nome. agora, ariana harwicz é alguém que preciso observar os passos.
16 de jan. de 2022
pequenas felicidades
notei, ao olhar o pote de jambos vistosos à minha frente, que tinham sido escolhidos com carinho e a dedo. havia uma expectativa em seu olhar que me observava a expressão. trouxe da feira, na qual foi logo cedo. ao perceber o miúdo gesto corriqueiro de sábado ou domingo, mergulhei profundamente em seus olhos e agradeci, sorrindo brilhante como as frutas. colhendo jambos do pará em potes de plástico rosa, plantei sementes de gratidão no coração agora amolecido de meu pai. era de se esperar que as felicidades, de tão pequenas, de tão rotineiras, mal eram observadas.
